quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Breves Mudanças




Eu não sei ao certo porque isso vem me intrigando e mantendo meus olhos arregalados todos os dias ao dormir. Independente de prover da criação, ou da própria personalidade eu vivi 23 anos sendo assim. Não tinha porque me rebelar por algo que estava incorporado e o qual eu já havia me acostumado. Tão normal, que até as suas conseqüências eram aceitas. Eu já nem cobrava mais. Nem de mim, nem de terceiros.
Assim como lavar o rosto pela manhã, eu seguia acreditando nas pessoas. Se duvidar, senão mais banal.
Por achar fantástico o relacionamento humano, qualquer nova pessoa conhecida, automaticamente uma nova amizade. Entrega e carinho já fazia parte do pacote, sem adicionais. E fui dando cara, perna, braço e coração à tapa. Mesmo destruída e com cicatrizes ainda abertas, fui aceitando desafios. “Opa, pode entrar.” Sem esperar algum retorno, inconscientemente eu fui esquecendo do que foi aprendido sobre reciprocidade.
E não é que agora eu vá ficar só, até porque eu não acredito que a solidão dê certo. Mas digamos que foi aberta a temporada do auto questionamento e a boa nova é seleção. Parece-me apropriado iniciar o ano tomando essa atitude. É feito limpar o armário: o que é bom e ainda serve, fica.
É o momento certo para administrar quem terá o prazer e principalmente potencial para receber os meus cuidados.
E não é marketing, não. Mas se existe algo em que me tornei phd, foi na meteria dos ursinhos carinhosos. “Seja boazinha, trate com carinho e te submetas”.
Um breve comercial então.
Eu vou doar pra também receber. Caridade eu estou fazendo pra quem precisa. Não quero mais brincar dessa chatice de preocupação em vão. Parceria então, agora é objeto para colecionador.
Durante todos esses anos ninguém nem ao menos ressarciu meus analgésicos! E quem soube valorizar já nem deve mais estar me lendo. E sabe que eu manifesto um “obrigada senhor” todas as noites.
Agora ao restante, nem uma segunda chance. Eu estou ouvindo uma cabeça que enfim voltou a funcionar e dormindo em paz outra vez. Todos o peso morto adquirido em anos está à um passo de ser liquidado.
Façam as malas, meu signo mudou.

sábado, 1 de agosto de 2009

Imaturidade


Hoje eu me denomino hoje. Bem diferente de ontem, sem esperar com tanta ânsia o amanhã. Vou em pequenos passos. Provavelmente bem menores que a maioria dos de 1987. Há dias em que aqui só se empurra com a barriga, outros de revolução intensa. Como disse há poucos, o hoje, hoje sabe de quase nada e menos ainda de si. Perdeu um pouco da fé aparentemente inabalável, não casou e fraquejou em alguns dos seus valores. Conservou certos hábitos começando por aqueles que se referem aos poucos amigos. O hoje já aceita a mortalidade. Sentiu friamente que não é um ser intocável. Ainda crê no corpo fechado, adoece pouco, mas a vida andou mostrando que a tal mola precisa periodicamente ser lubrificada. Catalisou alguns dos seus sentidos nesse meio tempo. Enxerga perfeitamente bem, enxerga fundo, enxerga o que nem sempre deseja, mas continua mais surdo que uma porta. É mais direto que antigamente, já não trabalha mais tanto com entrelinhas. Vive de uns 3 amores e os animais ainda estão no topo dos que mais sensibilizam. A estrada continua sendo a válvula de escape perfeita e a saudade o vilão mais famoso. Perde o sono, perde o juízo, perde a chance de ficar quieto. O hoje simplesmente irrita quando a força do hábito fala mais alto e ele resolve entrar em crise com o tempo. Não quer crescer, quer colo, quer voltar pro colo da Mãe .O hoje é um incógnita previsível. Com sobra de falta de paciência e bunda grande. Que não sabe não ser tudo que é mesmo não sabendo exatamente o que seria. Com ele Deus fez tudo certo. Em especial quando resolveu jogá-lo aqui na versão mulher. Sabia que não daria certo em outro molde já que não tem saco nenhum. Está em constante e interminável processo de adaptação ao mundo. Sem muita ambição de sucesso quanto ao mesmo.
O hoje esses dias deu passos enormes em direção da normalidade. Daquilo que o mundo todo almeja. Um coração em paz, um trabalho que satisfaça e um bom lugar pra terminar um dia.
Como disse ele está bem diferente de ontem, o que pra esse caso vem a ser, muito melhor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Fantasias

Olhe para mim, me diga o que você vê. me pinte de forma abstrata, deixe de fora meus traços e borre partes do meu rosto. mostre a imagem que eu não vejo, o que está fora de mim, o que nem o espelho é capaz de reproduzir. dê o nome que quiser e invente a era em que vivi. tragédia ou musa inspiradora, a escolha é sua. empilhe, exponha, faça o que quiser, mas faça. com toda urgência que o mundo permite. você sabe que não é só amor, querido. que pode levantar o interruptor. você sabe que provavelmente deveria ser, mas talvez deus tenha estragado tudo. ereção. esquentou no chuveiro, é um monumento no parque. é o pau de um rifle, uma memória no escuro. você tentou guardar segredo, mas agora o mundo vai saber. você tentou a perfeição.
as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. mas não poderiam escapar ao aroma. pois o aroma é o irmão da respiração. como esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. e bem pra dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. quem dominasse os oderes dominaria o coração das pessoas. baile de máscaras, rostos de papel no desfile. baile de máscaras, esconda seu rosto para que o mundo nunca te encontre. baile de máscaras, cada rosto com uma sombra diferente. baile de máscaras, olhe em volta... há outra máscara atrás de você.

a princesa continua presa em sua torre.
o antigo cavaleiro perdeu sua luta.
bateu a cabeça, teve amnésia... já não sabe mais quem ela é.
próximo candidato?
o dragão continua soltando fogo.

As escuras

Cada um com um propósito, um diferente para cada um que entra pela
porta. Debaixo das luzes escuras, coloridas e enganosas, as pessoas
caminham como predadores à procura. Muitos confiantes, de cabeça
erguida, modelito impecável, razão na mira dos olhos. outros procuram
sem saber, desnorteados de sentido, caminhando por caminhar. há os
procuram tanto que se perdem, caminham viciados em uma imagem,
obsecados por suas vontades, presos em algo que chamam de liberdade.
há também os que encontram segurança em saber que não pertencem. de jeito ou maneira estão descobrindo, sem saber, enquanto se divertem
e gastam tempo, suas próprias identidades, em um lugar que não é suas
bolsas ou carteiras. vestidos para matar, vestidos para morrer,
vestidos por vestir; independente do traje, alguns decidem que ali vão
morar. já outros, decidem que precisam sair. e enquanto tem os que entram para lembrar, tem os que entram para esquecer. os que se escondem dessa maneira, sempre acordam com uma terrível ressaca ou um impiedoso down.

terça-feira, 23 de junho de 2009


Às vezes me perguntam por que eu parei de escrever e nem eu mesma sei responder. Talvez eu saiba dizer a razão pela qual um dia eu tenha escrito.
Eu acredito que tudo foi fruto dessa nossa juventude, daquela prepotência sem intencionalidade de achar que se sabe de tudo. Que se é o mandante do mundo.
Eu realmente achava que era praticamente tudo uma questão de vontade. Que querer salvar o mundo e ser aquilo que se deseja era determinado por resistência. Eu duvidava que a vida fosse tão efêmera ou que certas coisas não fossem capazes de mudar. Eu não brincava quando citava a possibilidade de ser super herói, sobre ser um ser invencível.
Eu achei que o amor era somente uma questão de peito aberto e encontro. Falava dele com tanta simplicidade e conhecimento. Eu me fechava quanto ao fato das adversidades. E diferente de tudo que hoje eu não sei, eu sei perfeitamente quando essa minha Síndrome de Afrodite foi para o espaço. Eu nunca admiti a falta de fé, os incrédulos. Eu achava que éramos nós que estávamos no controle de tudo e só acreditava em destino quando esse pudesse ser favorável. Acreditava no tempo e na parceria que podíamos fazer com ele. Então o tempo passou ... Trouxe consigo responsabilidades e a sua própria redução para que eu conseguisse resolvê-las. Eu bem disse que queria ser Peter Pan. A pior de todas as situações é ver que há certas partes de si mesmo desconhecidas , presenciar esse ser estranho acostumando-se com a acomodação. É ver seu corpo encaixando-se ainda meio torto nesses novos moldes feitos de aceitação.Ainda não dá para escrever sobre algo que não agrada. Enquanto isso eu vou vivendo até que passe. Volto, se encontrar minha identidade.

Ser imprevisível


Descobri que há certas áreas desconhecidas em mim. Descobri que posso ir até mais longe doque pensava e que neim sempre o certo me desagrada.
Repudiei atitudes e atos de um dia e repensei todo uma leitura paralela de mundo. Por mim um contexto já trabalhado de hoje se tornou aprendizado e de fato não olhar para tráz é o lema. Sou previsível. Sim é certo, sou mais previsível doque eu pensava e quem sabe tanta gente é e neim sabe. Sou previsível e tenho atitudes "previsivelmente" premeditadas mesmo sem saber.
Ser previsível não é simplesmente saber e sim também chocar. Me admiro com os setimentos e sensações que vem a tona vez por vez. Difícil de aceitar as verdades desse mundo, embora não estejam corretas são leis. Mas o pior é se ver fadado a um caminho onde você é involuntariamente carregado, sua mudança é gradual, mas hoje você já vê os pedaçoes de quem um dia já foi deixados por onde você passou. Ter os traços marcados no rosto, esculpidos a força por moldes de aceitação. E remediar feridas que não se fecharam mais. Nos acostumamos a não sentir dor, dor esta que é parte contínua de nosso ser. É como estar prestes a se chocar num abismo e escapar por pouco.Adquirindo toda a descarga de sensações sem a latencia necessária. Por fim ser esperado. Previsível. Desesperado.
Ser previsível é involuntariamente se permitir chorar pelo desapontamento com alguém que foi imprevisível, ou ver que suas idéias e percepções de mundo não passaram apenas de idéias imprevisíveis, ser previsível é admitir do fundo que você errou banalmente e apesar disso saber que não existe desculpas. Ser previsível é simplesmente aceitar quem você se tornou com tudo lamentando quem você vai ser amanhã, tendo a sabedoria de lamentar não depender apenas de você.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O colorido escuro em mim



Como uma gota que escorre do canto do alho. Que arde com a dor de engolir vez por vez até que te sufoque. Se o berro silencioso escondido debaixo da excitação se calou por tempo demais, escolheu o momento certo pra se libertar. Com o atraso de tempo, fez um eco: Expalhando-se por todos os aspectos do futuro. Quando o tempo demora demais pra chegar, tenho uma certeza absoluta: Quando o relógio der a badalada, o choro se transformará em força e a força se transformará em potência. Todas as vezes que alguém duvidar de mim, darei uma risada irritante. Pois já conheço a essência do caminho de camaleoa que foi escrito na palma das minhas mãos. Vim aqui para gritar, para incomodar, e sairei do mundo eterna. Não posso assegurar minha sanidade mental, pois não tenho olhos que enxergam o futuro. Só sei brincar de adivinhar, nasci com o abraço da sorte de cima do muro. O futuro já chega amanhã, com acontecimentos totalmente vendados. E se o teto cair hoje, quem sabe amanhã serei abandonado. O que conheço hoje pode parecer seguro, mas isso é apenas ilusão: um momento muda o mundo, um instante marca o coração. uma solução permanente para um problema temporário, feridas escondidas gritam até atingir o silêncio. que copo ímpar esse que os sedentos bebem, desesperados, perambulando. a mulher covarde está dentro da corajosa, pois ao decidir ficar para sempre no escuro, assopra egoísmo honesto e gelado pela sala. e a janela que bate, oportuna e prepotente, chama a alma daquela que chora, chama o ponto final pro futuro. Os olhos alheios não enxergam, eles apenas observam, e é em um dia como qualquer outro que percebem o quanto o mundo caminha cego. Ninguém está de mãos dadas, e o toque daquela que não aguenta ficar é o mais solitário. A garganta arranha enquanto o coração berra e a pele humana na dela só causa mais dor. Isolar-se no nada, no desconhecido, na bravura egoísta da necessidade da cura. Estava a procura da cura, obscura, prematura, mas que dura... para sempre


se pudesse calava a boca, calava a boca e ia dormir! mas calar a boca pra quê? eu nunca calaria a boca. AH, só dorme, vai!