enquanto puder respirar, tome cuidado com os extremos, diga o que quer
dizer, mas tente não ser maldoso. você devia sempre dizer obrigado,
deve gostar do seu cabelo, acenar para estranhos. faça o que tiver que
fazer, não olhe para o que os outros estão fazendo. pense antes de
comprar um carro, não case com alguém que conheceu em um bar. não
existe "ir longe demais", ame quem você é. não tenha medo do que está
te esperando, mas use um capacete para proteger sua cabeça. fique perto
da mão que te criou, preste atenção nos sinais, nunca desperdice vinho
caro. mime seu corpo, mime você, nunca trapaceie e divida sua furtuna.
cante quando estiver feliz, feche a porta se sua voz for ruim. não
acredite em um homem que sabe que está certo, não pule para frente,
aproveite seu vôo. seja bom com seu cachorro, dirija devagar quando
houver neblina, escreva uma música. mude de roupa todos os dias, ligue
quando estiver atrasado, fique seguro na hora de transar. leia o que
você gosta, esteja do lado do seu irmão. você pode perguntar porque,
mas não espere entender sua vida.
é estranho como você pode olhar para algo uma vez e ver uma coisa e depois olhar uma segunda vez e ver algo completamente diferente.
olho para cima e olho para baixo. tiro meus sapatos para ficar mais perto do chão. consigo pensar em muitas maneiras de estragar esses dias perfeitos, mas sinto coragem para me sentir bem hoje. de alguma forma nesse mundo esquisito, estou indo bem. podem dizer que essa paz de espírito nunca foi minha, mas me sinto bem.
Algo entre uma santa e uma pilantra. Quero uma emoção paralítica. O mundo me viu brigar, agora vai me ver dormir.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Só um pensamento
os artíficios que te perseguem como um fantasma querendo te empurrar, te empurrar mais um gole, mais um trago, mais um passo, mais um salto, à procura da luz. de uma noite surgem sonhos, de uma noite surgem ilusões. dias de sorte, dias de glória, dias normais, como qualquer outro, e homens gigantes ficam de pé em enormes plataformas. você adquire um pouco do brilho quando está lá, e quando sai, volta para dimensão dos normais. por algumas horas, quando a sorte bate, você se sente especial. dispensa o pensamento de idealização, glorificação, e deixa enaltecer. bêbada por algumas horas, de ressaca por algumas semanas, depois que a onda passa você quer e necessecita mais. a vida por trás dos palcos, o crachá de acesso total, a vida que não precisa de amanhã, as festas que não podem acabar. embrigada de ilusão, de sonhos de menina, de distorção de guitarras.
... alteração da forma de uma corrente elétrica ao ser amplificada em um circuito.
... alteração da forma de uma corrente elétrica ao ser amplificada em um circuito.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Até cessar
Relacionamento é um campo de batalha, até que você se aposenta da guerra. de cada final de guerra que você marcha para casa como um sobrevivente, você trás uma cicatriz e um troféu.
Eu lembro bem de todas as bombas, eu lembro bem de cada minuto de descanso. Eu lembro que antes eu sangrava, todos os dias eu sangrava, e o desejo de morte batia à porta todas as vezes que precisava dar adeus. Todas as vezes que precisava perder, sentia a decepção dos meus colegas de batalha, aqueles dentro da minha cabeça.
Quando consegui sair de dentro desse mundo, tentei tornar-me espectadora. Eu ainda olhava para as cicatrizes de vez em quando e o troféu não me significava muita coisa. Eu tinha perdido e estava reconstruindo sozinha, todos os cantos que ficaram devastados.
Quando pulei dentro de novo, não sangrava tão profundamente, tinha mais resistência. mesmo assim haviam arranhões e a gritaria ás vezes me ensurdecia. Quando tudo estava bem eu sorria bem grande, e quando não estava, poderia haver sangue alheio. Eu achava que era louca, completamente maluca, enquanto arrancava os cabelos para tentar descobrir o porquê de todos os acontecimentos.
Eu só os descobri depois que essa guerra acabou...
nessa guerra que não é de países e sim a guerra do amor, é a única maneira de vencer. Você descobre que o outro não é seu inimigo e sim sua rocha.
Parece simples, mas não é.
As cicatrizes ainda estão aqui, mas se tornaram parte do meu corpo. Agora vejo que me prepararam para algo maior que estava à caminho e posso dormir em paz.
o estresse ao mesmo um estado ignorante... acredita que tudo é uma emergência. nada é assim tão importante. eu fecho os olhos e grito, tão alto eu grito, e toda a raiva navega pelo ar, atingindo silenciosamente o estado de espirito dos meus inimigos. depois eu deito e flutuo e o sono me come. dentro do meu inconsciente me sinto mais confortavel, mas não estou segura. quem sabe os planos que minha mente bolou? quem sabe o que quer me mostrar dessa vez? quando estou dormindo não consigo acordar. nos meus sonhos eu só corro, mas não consigo chegar. parece que corro contra as ondas, contra a água, contra a gravidade. olha, meu grito se transformou em música! um piano tão acelerado e macabro... eu não consigo decifrar. minha curiosidade quase me mata, quero uma soluçãoo agora, antes que o sonho chegue ao fim. sento ao piano e toco algo mais calmo. não dou bola para as lembranças daqueles que eu detesto e mexo os dedos graciosamente. os porta retratos em cima do meu piano de calda perdem o rosto.a cor do cabelo começa a mudar, a janela se abriu sozinha. não compreendo, mas sorrio. sinto o coração menos pesado. quando acordo não estou mais doente, não estou mais com odio. o silencio que não abre a boca os machuca muito mais do que o grito que entra em seus ouvidos silenciosamente. logo agora que eu tinha desistido de os flagelar...
Eu lembro bem de todas as bombas, eu lembro bem de cada minuto de descanso. Eu lembro que antes eu sangrava, todos os dias eu sangrava, e o desejo de morte batia à porta todas as vezes que precisava dar adeus. Todas as vezes que precisava perder, sentia a decepção dos meus colegas de batalha, aqueles dentro da minha cabeça.
Quando consegui sair de dentro desse mundo, tentei tornar-me espectadora. Eu ainda olhava para as cicatrizes de vez em quando e o troféu não me significava muita coisa. Eu tinha perdido e estava reconstruindo sozinha, todos os cantos que ficaram devastados.
Quando pulei dentro de novo, não sangrava tão profundamente, tinha mais resistência. mesmo assim haviam arranhões e a gritaria ás vezes me ensurdecia. Quando tudo estava bem eu sorria bem grande, e quando não estava, poderia haver sangue alheio. Eu achava que era louca, completamente maluca, enquanto arrancava os cabelos para tentar descobrir o porquê de todos os acontecimentos.
Eu só os descobri depois que essa guerra acabou...
nessa guerra que não é de países e sim a guerra do amor, é a única maneira de vencer. Você descobre que o outro não é seu inimigo e sim sua rocha.
Parece simples, mas não é.
As cicatrizes ainda estão aqui, mas se tornaram parte do meu corpo. Agora vejo que me prepararam para algo maior que estava à caminho e posso dormir em paz.
o estresse ao mesmo um estado ignorante... acredita que tudo é uma emergência. nada é assim tão importante. eu fecho os olhos e grito, tão alto eu grito, e toda a raiva navega pelo ar, atingindo silenciosamente o estado de espirito dos meus inimigos. depois eu deito e flutuo e o sono me come. dentro do meu inconsciente me sinto mais confortavel, mas não estou segura. quem sabe os planos que minha mente bolou? quem sabe o que quer me mostrar dessa vez? quando estou dormindo não consigo acordar. nos meus sonhos eu só corro, mas não consigo chegar. parece que corro contra as ondas, contra a água, contra a gravidade. olha, meu grito se transformou em música! um piano tão acelerado e macabro... eu não consigo decifrar. minha curiosidade quase me mata, quero uma soluçãoo agora, antes que o sonho chegue ao fim. sento ao piano e toco algo mais calmo. não dou bola para as lembranças daqueles que eu detesto e mexo os dedos graciosamente. os porta retratos em cima do meu piano de calda perdem o rosto.a cor do cabelo começa a mudar, a janela se abriu sozinha. não compreendo, mas sorrio. sinto o coração menos pesado. quando acordo não estou mais doente, não estou mais com odio. o silencio que não abre a boca os machuca muito mais do que o grito que entra em seus ouvidos silenciosamente. logo agora que eu tinha desistido de os flagelar...
Meu balanço
Por essa vez eu rasgo os bolsos e deixo tudo cair no chão. O que me satisfazia antes, já não me satisfaz mais. As filas de ovelhas empalhadas preocupadas em dançar e dormir, comendo carne mal passada, na sala de jantar, já não me cheiram bem. A procura no escuro por idêntidade, a obsessão por onipresença - estar em todos os lugares ao mesmo tempo - já não se categoriza mais à mim. E quando ponho os pés dentro das cavernas de luzes coloridas, tenho o único propósito de me divertir. no espelho enxergo eu mesma e não tento me encontrar em olhos e bocas alheias. Não encontro mais desafios. Me encontro novamente em uma fase com um piano de trilha sonóra. Não, não quer dizer que não fique por aqui, estourando os ouvidos alheios, com rock de boa e de má qualidade também. mas na minha alma toca um piano, um violino, um pássaro, uma ventania. O travesseiro é companheiro, durmo bem e, quando acordo fico à procura de programas completamente diferente para me excitar. Uma praia deserta, um vôo de asadelta, um bar sujo, um jantar de mafiosos, uma batalha de mcs... não estou assim mudada, estou aproveitando uma das minhas personalidades. e essa é uma que surge quando há muita segurança e muita paixão.
Prepare-se para o frio na barriga, prepare-se para cultivar borboletas dentro do estômago. O que você imaginou por todos esses anos está finalmente chegando. Você via as cenas na sua cabeça, você vibrava com todos os seus desejos. Colagens na parede sobre um futuro luminoso e agora cabe à você dar as mãos a ele. Está na hora de manter a cabeça no lugar, está na hora de olhar para dentro de ti. Está na hora de corrigir quaisquer erros passados teve, de manter os olhos na frente, enfim. O medo que vem junto com a excitação, faz com que tudo seja adrenalina. E a dor gostosa que se sente no peito, não poderia parar com morfina. Você está assustada, mas anseia pelo que virá depois. Precisa respirar fundo, se mostrar pro mundo, deixar de ser quem te assombrou. Começar com uma nova identidade, que ainda mostra o mesmo nome. Os rios estão se abrindo e você sabe que está com fome.
o nascimento de uma estrela é tão doloroso quanto o nascimento de uma criança.
Prepare-se para o frio na barriga, prepare-se para cultivar borboletas dentro do estômago. O que você imaginou por todos esses anos está finalmente chegando. Você via as cenas na sua cabeça, você vibrava com todos os seus desejos. Colagens na parede sobre um futuro luminoso e agora cabe à você dar as mãos a ele. Está na hora de manter a cabeça no lugar, está na hora de olhar para dentro de ti. Está na hora de corrigir quaisquer erros passados teve, de manter os olhos na frente, enfim. O medo que vem junto com a excitação, faz com que tudo seja adrenalina. E a dor gostosa que se sente no peito, não poderia parar com morfina. Você está assustada, mas anseia pelo que virá depois. Precisa respirar fundo, se mostrar pro mundo, deixar de ser quem te assombrou. Começar com uma nova identidade, que ainda mostra o mesmo nome. Os rios estão se abrindo e você sabe que está com fome.
o nascimento de uma estrela é tão doloroso quanto o nascimento de uma criança.
Paisagem dos dias de hoje
É, acho que é isso mesmo. Eu estava no caminho certo e entrei no
trêm errado. Estava de olhos abertos e sabia, mesmo que pouco, quais
seriam meus planos. Agora que estou na direção contrária, fico tentando
voltar, mas estou sentada movendo tão rápido, que não posso me mexer.
As idéias e os conceitos cairam da minha mão e rolaram pelos vagões. Os
meus sonhos foram parar em algum lugar que eu não conheço. Antes eu
estava tão certa e agora eu quase nem sei qual é o meu propósito. É que
dessa vez eu não fiz nada errado, é que dessa vez a vida que escolheu
fazer isso comigo. Talvez achasse que eu tinha demais, talvez achasse
que eu não merecia tanto, e agora tirou muito de mim. Tirou para quem
sabe me ensinar à dar valor. É só nesse beco sem saída que vou
encontrar uma razão, parece, mas para onde correr? Essas crises de
indigência social não me deixam dormir em paz e eu sabia que mais cedo
ou mais tarde eu voltaria aos velhos padrões e tropeçaria. Estava tudo
bem demais e a vida precisa me lembrar que as coisas não são assim.Tantas vezes eu tentei ir além mas só consegui ficar presa no espelho do meu umbigo. Agora eu preciso
pagar. Passar pelo inferno para chegar ao fim dele. Para ser um ser melhor.
E eu sei que no final tudo se resume à apenas isso; ou eu escolho ser alguém que culpa o passado por quem é, ou eu decido tomar controle e criar o alguém que quero ser no futuro.
trêm errado. Estava de olhos abertos e sabia, mesmo que pouco, quais
seriam meus planos. Agora que estou na direção contrária, fico tentando
voltar, mas estou sentada movendo tão rápido, que não posso me mexer.
As idéias e os conceitos cairam da minha mão e rolaram pelos vagões. Os
meus sonhos foram parar em algum lugar que eu não conheço. Antes eu
estava tão certa e agora eu quase nem sei qual é o meu propósito. É que
dessa vez eu não fiz nada errado, é que dessa vez a vida que escolheu
fazer isso comigo. Talvez achasse que eu tinha demais, talvez achasse
que eu não merecia tanto, e agora tirou muito de mim. Tirou para quem
sabe me ensinar à dar valor. É só nesse beco sem saída que vou
encontrar uma razão, parece, mas para onde correr? Essas crises de
indigência social não me deixam dormir em paz e eu sabia que mais cedo
ou mais tarde eu voltaria aos velhos padrões e tropeçaria. Estava tudo
bem demais e a vida precisa me lembrar que as coisas não são assim.Tantas vezes eu tentei ir além mas só consegui ficar presa no espelho do meu umbigo. Agora eu preciso
pagar. Passar pelo inferno para chegar ao fim dele. Para ser um ser melhor.
E eu sei que no final tudo se resume à apenas isso; ou eu escolho ser alguém que culpa o passado por quem é, ou eu decido tomar controle e criar o alguém que quero ser no futuro.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
As vezes eu acabo concordando que na minha certidão de nascimento deveria mesmo estar escrito OZ, ou que seja, Terra do Nunca. Onde foram parar meus 23 anos?
É feito tempo parado mas nunca perdido. É toda vez olhar para trás e achar realmente que a última festa foi a de 15. São os 6 anos sem meu pai por perto nunca terem acontecido. Foi ontem, eu de uniforme azul embaixo do meu prédio, que ele pegou a mala, entortou a boca e disse pra gente ser forte.
E eu nem sei se essa síndrome de Peter Pan me incomoda.
Pelo menos foi desse meu jeito atípico que camuflei as esperas mais longas e cruéis da minha vida. Vai ver foi esse o meu mecanismo utilizado para que tudo doesse menos e por menos tempo. Pra manter ainda disposto o coração.
O que de fato perturba é ter ainda a sensibilidade de uma criança. E o pior, junto de uma bagagem e a visão real do que é o mundo hoje.
Eu sofro demais com os animais abandonados e tenho a infeliz consciência de que salvar um só não irá resolver.
Eu simplesmente não me contextualizei na matéria de cegar certos sentimentos que a modernidade tanto exigiu. Pra mim é complicado entender que esmola não se dá e que grande parte da sociedade hoje não tem as mesmas chances que eu. E que palavra ridícula é essa chamada de sociedade!
Talvez eu tenha estagnado no tempo pelo fato de que sendo criança eu era maior que tudo. E eu podia salvar o mundo salavando a asa de um passarinho. E eu podia também dormir em paz dividindo apenas o saco de pipoca com o "menino de rua". E era mais fácil quando eu não entendia o porquê de tanta gente dormir na rua em dias que faziam tanto frio.
Com 22 anos eu acho horrível o meu discernimento. E não sei ainda e o difícil é crescer ou compreeender.
Então eu prefiro ficar assim, a banalizar o que pra mim não é aceitável. E recuso-me a ler em jornais e noticiários casos de homicídios, balas perdidas e miséria como se fossem meros classificados.
É sim a recusa pelos meus dias, pelo meus tempo, dessa minha infeliz história.
Que se danem os meus testes psicológicos! Eu vou estar na casa dos 60 com os mesmos fortes traços de infantilidade, desenhando botões coloridos em blusas e me sentindo insegura diante de um mundo em que sou uma estranha.
E que Deus me permita permanecer estranha em um mundo que se tornou tão estranho.
É feito tempo parado mas nunca perdido. É toda vez olhar para trás e achar realmente que a última festa foi a de 15. São os 6 anos sem meu pai por perto nunca terem acontecido. Foi ontem, eu de uniforme azul embaixo do meu prédio, que ele pegou a mala, entortou a boca e disse pra gente ser forte.
E eu nem sei se essa síndrome de Peter Pan me incomoda.
Pelo menos foi desse meu jeito atípico que camuflei as esperas mais longas e cruéis da minha vida. Vai ver foi esse o meu mecanismo utilizado para que tudo doesse menos e por menos tempo. Pra manter ainda disposto o coração.
O que de fato perturba é ter ainda a sensibilidade de uma criança. E o pior, junto de uma bagagem e a visão real do que é o mundo hoje.
Eu sofro demais com os animais abandonados e tenho a infeliz consciência de que salvar um só não irá resolver.
Eu simplesmente não me contextualizei na matéria de cegar certos sentimentos que a modernidade tanto exigiu. Pra mim é complicado entender que esmola não se dá e que grande parte da sociedade hoje não tem as mesmas chances que eu. E que palavra ridícula é essa chamada de sociedade!
Talvez eu tenha estagnado no tempo pelo fato de que sendo criança eu era maior que tudo. E eu podia salvar o mundo salavando a asa de um passarinho. E eu podia também dormir em paz dividindo apenas o saco de pipoca com o "menino de rua". E era mais fácil quando eu não entendia o porquê de tanta gente dormir na rua em dias que faziam tanto frio.
Com 22 anos eu acho horrível o meu discernimento. E não sei ainda e o difícil é crescer ou compreeender.
Então eu prefiro ficar assim, a banalizar o que pra mim não é aceitável. E recuso-me a ler em jornais e noticiários casos de homicídios, balas perdidas e miséria como se fossem meros classificados.
É sim a recusa pelos meus dias, pelo meus tempo, dessa minha infeliz história.
Que se danem os meus testes psicológicos! Eu vou estar na casa dos 60 com os mesmos fortes traços de infantilidade, desenhando botões coloridos em blusas e me sentindo insegura diante de um mundo em que sou uma estranha.
E que Deus me permita permanecer estranha em um mundo que se tornou tão estranho.
Breves Mudanças

Eu não sei ao certo porque isso vem me intrigando e mantendo meus olhos arregalados todos os dias ao dormir. Independente de prover da criação, ou da própria personalidade eu vivi 23 anos sendo assim. Não tinha porque me rebelar por algo que estava incorporado e o qual eu já havia me acostumado. Tão normal, que até as suas conseqüências eram aceitas. Eu já nem cobrava mais. Nem de mim, nem de terceiros.
Assim como lavar o rosto pela manhã, eu seguia acreditando nas pessoas. Se duvidar, senão mais banal.
Por achar fantástico o relacionamento humano, qualquer nova pessoa conhecida, automaticamente uma nova amizade. Entrega e carinho já fazia parte do pacote, sem adicionais. E fui dando cara, perna, braço e coração à tapa. Mesmo destruída e com cicatrizes ainda abertas, fui aceitando desafios. “Opa, pode entrar.” Sem esperar algum retorno, inconscientemente eu fui esquecendo do que foi aprendido sobre reciprocidade.
E não é que agora eu vá ficar só, até porque eu não acredito que a solidão dê certo. Mas digamos que foi aberta a temporada do auto questionamento e a boa nova é seleção. Parece-me apropriado iniciar o ano tomando essa atitude. É feito limpar o armário: o que é bom e ainda serve, fica.
É o momento certo para administrar quem terá o prazer e principalmente potencial para receber os meus cuidados.
E não é marketing, não. Mas se existe algo em que me tornei phd, foi na meteria dos ursinhos carinhosos. “Seja boazinha, trate com carinho e te submetas”.
Um breve comercial então.
Eu vou doar pra também receber. Caridade eu estou fazendo pra quem precisa. Não quero mais brincar dessa chatice de preocupação em vão. Parceria então, agora é objeto para colecionador.
Durante todos esses anos ninguém nem ao menos ressarciu meus analgésicos! E quem soube valorizar já nem deve mais estar me lendo. E sabe que eu manifesto um “obrigada senhor” todas as noites.
Agora ao restante, nem uma segunda chance. Eu estou ouvindo uma cabeça que enfim voltou a funcionar e dormindo em paz outra vez. Todos o peso morto adquirido em anos está à um passo de ser liquidado.
Façam as malas, meu signo mudou.
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