Algo entre uma santa e uma pilantra. Quero uma emoção paralítica. O mundo me viu brigar, agora vai me ver dormir.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Agradecimentos
Mudança é a lei da vida. Se você quer resultados diferentes opte por caminhos onde nunca andou. Comece devagar e na medida do possível mude o todo. Já dizia Einstein, "A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."É uma tolice querer resuldos diferentes fazendo sempre o mesmo. Sou eu e minha síndrome de Fenix. Queria agradecer a todos que acompanharam, gostando ou não. Sou grata a todas as críticas e elogios. Cada um a sua maneira agregou valor. Sou imensamente grata as 64.567 mil(Ufa) visitas nesses 5 anos de blog. Agradeço a quem dedicou um pouquinho do seu tempo pra vir aqui. Essa foi uma fase bonita da vida que eu guardo aqui com muito carinho. Vejo a transformação latente nas páginas de início até os dias de hoje. Foi um prazer mostrar um pouco de mim aqui. Tão presente em todas as linhas. Quem quizer continuar acompanhando meus capítulos:
http://chaodasilusoes.wordpress.com/
Uma nova fase começa aqui.
E eu ?
Eu vou indo ali, escrever uma nova história.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Lavei o rosto depois da tormenta
Foi quando lembrar se tornou difícil
Não ver se torna opção agradável
sob a sombra de pensamentos prometedores
Sussurro meu pranto à teu pé do ouvido
Uma ladainha repaginada de algo não resolvido
quase uma súplica,
amargamente vestida de cinzas
em ferida pulgente.
Preferi me calar
e meu peito quase explodiu em mágua
envenenando corpo a fora
Todos esses dias no inferno me definem
Lá me encontrei e fiz carnaval
Espalhando verdades proibidas
à mentirosos de primeira viagem
Mágua é água parada
Apodrece,
É tempestade em copo dágua
enlouquece
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A foto
Ontem achei uma foto nossa
Dilacerada em quatro pedaços
Mas que nunca tive coragem de me desfazer
A única lembrança que guardo desse amor
Uma foto já amarelada
Borrada por todas as vezes que chorei
Borrada pela mancha que desse desamor
Peito vazio e sorriso desconcertado
Enquanto apreciava os fragmentos
Tentei por vezes juntar os hiatos
Compor mais uma vez aquela imagem
É triste quando um amor acaba
E nem naquela foto amarela
Eu me encaixo mais em você
Não reconheço a menina daquela lembrança
Somos agora um rascunho maldito do que passou
A imagem fica distorcida
E os espaços parecem maiors
É como um espectro disforme
Lágrimas densas deslizam pelo rosto
A tocar por mais uma vez o polaroid
A boca amarga e sinto uma imensa saudade
Me contento com os quatro pedaços
Da foto amarelada que não consigo mandar embora
Talvez o pedaço, meu pedaço mais bonito
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Sabe o que eu senti? Claro que não. As pessoas tem o hábito de ocupar-se em outras coisas quando os sentimentos fortes passam por elas. Sejam quais forem. No momento raro em que a reciprocidade completa acontece elas são felizes, quando não, se enchem de medos, inseguranças, superstições, angustias, cuidados, exageros... os maiores exageros possíveis.
Deixa o corpo transparecer as coisas que mais tenta esconder, deixa o sorriso expresso no rosto enquanto olha pra alguém, deixa os olhos brilharem, deixa o corpo contraído e quase vê o coração pular de dentro do peito, fazendo um som alto que todos devem ouvir.
Alguém olhou para aquele mundo dentro dela. Alguém percebeu. É o que quer. Que perceba, que se afaste, que acalme os seus dias estando o mais longe possível. Preciso da coragem alheia, porque eu aqui, sozinha, vou procurar sem querer ser procurada. Vou atrás tentando fugir. Encontrando passatempos diários, prazeres sigilosos, meio proibidos. Na conversa tranquila solto umas lágrimas pelo canto do olho. Deixo-a visível. Com o sonho cuidado, tão cuidado que não deve ser além disso.
Guardou toda a ingenuidade de momentos anteriores. A vida é uma só. Decidiu sugá-la, vivê-la sem seus medos. Para com esse cuidado de fingir que não sente. Para. Simplesmente. Deixa o corpo seguir o caminho só, sem pensar, deixando viver os desejos que esconde.
Não sei o que acontece com o tempo. Menos o que acontece comigo, parece que eu e o tempo vamos nos confundindo. Os sentimentos vão se misturando, SE AMPLIFICANDO. Aprendo a observar cada um dos detalhes alheios: do sorriso ao olhar, meu e do tempo. Uma esperança vai se enquadrando e preenchendo. Ou tornar algumas vontades mais fortes e de tanto querer, de tanto lembrar as coisas vão se diluindo, apagando... não! Bem que eu queria. Traçar um rascunho, uma linha cada vez mais leve e clara, que forma um circulo em torno deles. Pronto! Agora por minha conta e do tempo ? Já nem sei mais o que foi ontem ? E hoje ? Repito essa observação, que tenta ser profunda, dos detalhes alheios, do sorriso ao olhar. Somos muito diferentes. Não preciso de muito pra perceber isso. As imagens dos sorrisos e esse brilho constante no olhar, passam impressões distorcidas, vejo tudo aquilo que não é. Somos, definitivamente, diferentes e talvez, pro mundo inteiro devamos ficar longe. Fico atenta nas suas escolhas, esperando... junto com o tempo que espero que aprenda a curar e apagar tudo aquilo que não é.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Mal diz. Mal preenche o espaço que lhe deixo disponível. Talvez a minha resistência devesse se amplificar. Talvez deva exagerar nos meus limites. Talvez deva inteirar o mundo com as minhas confusões. As que se multiplicam com o passar lento dos segundos de espera. Em um curto intervalo de tempo se questiona, muda de direção, apanha os antigos sentidos que via nas relações desenvolvidas e joga num canto do quarto. Deixa lá. Guarda sem nenhum cuidado. Sufoca as palavras até onde perde controle. Prende às mãos a uma distância frágil . Não adiantam os tantos conselhos. Não adiantam os tantos cuidados. Uma parte sua prefere jogar-se em fogo cruzado. Prefere investir no salto, sem perspectivas, sem direções certas. Esse sempre foi o lado que via como o melhor da vida. As incertezas que lhe impulsionam, são sempre tão mais atraentes do que o planejamento de uma história que nem existe.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Me olha
É com cuidado, com todo o cuidado. Ela pensa em cada palavra, planeja o tom de voz, a velocidade com que vai levando a conversa de um assunto trivial a uma confissão. Uma daquelas que estão explicitas. Fica imaginando o que faz alguém ser tão... tão inexplicavelmente... Como alguém é capaz de fingir... De omitir... tão bem. Já faz algum tempo que perdeu essa fragilidade. Já faz algum tempo que aprendeu a desocupar o coração, o que for, das paranoias que se infiltram sem perceber. Já faz algum tempo que ela aceitou que para algumas coisas ninguém amadurece o suficiente. Aprendeu a aceitar o ridículo em que algumas situações lhe colocam, aprendeu isso no momento em que não precisou ser melhor ou pior que qualquer outra pessoa. *** Quer voltar, seja pra que lugar for. Ela rasteja entre o sonho e a vida real. Fica esperando que alguma parte da vida se concretize. Não pode dizer que alguém a conhece. Não pode dizer que conhece alguém. Ela se limita a ficar parada, quieta num canto tentando observar detalhes à distância. Ela quer se ver no espelho, daqueles pequenos onde só se vê um pequeno recorte do rosto. Será que vale procurar tantos detalhes próprios? Ela quer se ver. Antes que qualquer um a veja.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Esse Maneco é cheio de certezas maiúsculas. Tudo que não invento é falso. Mas as coisas me ampliaram para menos. E o melhor jeito que eu achei pra me conhecer foi fazendo o contrário. É preciso. Porque do lugar que estou já fui embora, uma vez que a inércia é meu ato principal. As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis: elas desejam ser olhadas de azul. E eu sempre guardei nas palavras os meus desconcertos. Uso a palavra para compor os meus silêncios. Onde eu não estou, as palavras me acham. Lugar sem comportamento é o coração. Pois por pudor sou impuro. Mas para mim, poderoso é o que descobre as insignificâncias.
(Manoel de Barros)
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Cada palavra deve ser conduzida com cuidado. Há um amor pela forma de expressão, um que se apega ao papel, à caneta... Um que admira os rabiscos em folhas amareladas. Mesmos as palavras soltas, desconexas, jogadas sem ordem em uma folha lhe parecem caras. De que resulta esse apego que lhe mantém presa a cadernos de histórias que lidas hoje não contam coisa alguma? Busca as referências pelo tempo, pela memória, pelas pessoas que conheceu... O que fica de cada uma dessas experiências são as vozes silenciosas presas no papel. Elas lhe trazem os sorrisos de volta. Elas lhe trazem um sono tranquilo. Mesmo quando constantemente a impedem de dormir. Certas vezes as vozes não lhe importam. O silêncio, ou o som baixo da caneta correndo pelo papel é o que é capaz de tranquilizar o seu dia.
Precisa de um reencontro. O que tem a fazer? Volta às antigas folhas de cadernos, agendas, datas marcadas, tantas as coisas que já passaram por ela. Vai à busca de quem foi pra tentar entender a confusão que a prende em cada novo dia.
Como o tempo esperado a faz transformar os sentimentos. Como a paciência se esgota. Como as dúvidas vão penetrando tão forte. Como decide apagar tudo pra recomeçar.
Pensa em queimar as folhas antigas. Pensa em construir uma pessoa nova. Mesmo nome, mesmo rosto, mesma voz. Mas seus silêncios mudam de significado. Suas frases perdem a clareza até que tenha, finalmente, coragem de falar com todas as letras o que a transformou.Parte cedo demais... de uma ou outra palavra, dessas que deveriam preencher frases longas cheias de explicações. Mas não consegue evitar e deixa o subtendido, deixa o que viria ser, completar a frase precipitadamente. Interrompe a voz do outro com uma respiração mais forte. Com o “não sei”, que deveria mas não conduz a nada. Não deixa o tempo ser natural, com medo das certezas. É mais fácil impregnar-se de dúvidas.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Ao acaso
E me disseram que o tempo ensina... E eu passei a vida tentando me convencer disso. Mas ninguém diz como não ter medo... Como não me arrepender. Como seguir em frente. Ao mesmo tempo ninguém além de mim é capaz de entender... Nada que eu fale hoje pode me fazer entender. Tudo o que eu consigo fazer é ficar confusa. Preciso que alguém cuide um pouco de mim. Porque sozinha tem sido difícil... Como se continuar tivesse deixado de ser simples. De repente o que eu achei que precisava de coragem pra fazer tomou algum fôlego. De repente as coisas não parecem ter muito sentido. E as coisas não parecem estar a meu favor. Em um dia tudo cresceu aqui dentro, tudo começou a doer, a ferir o corpo com marcas que eu não provoquei. E eu nem sei o que veio pra doer tanto. Nem eu sei de que quero tanto fugir. Só tornei o dia insuportável e o tempo decidiu me abandonar. E todos esses sentimentos que começavam a fazer sentido se perderam outra vez. Não achei que alguma vez fosse incapaz de lidar com certas perdas, não achei que alguma vez fosse desejar tanto que o tempo passasse o mais rápido possível pra ver se esses sentimentos criam força pra passar também. Só estou com medo. Um medo que nunca senti. Nunca. Medo de que as coisas continuem iguais, medo de que independente de qualquer coisa eu só tenha que continuar [...]. Tem sido difícil, tem me sugado o sono e os sonhos. Tem criado sentimentos novos que achava que não existiam aqui. Tem me forçado a pensar em mim mesma. Tem me feito ver meu reflexo real. Aquele que não tinha coragem de mostrar, de admitir. Aquele que me entrega vulnerável, sem cuidado. Sem a proteção da primeira impressão. Não quis ser fácil de entender, aprendi a me esconder. Em cada uma das cuidadosas palavras que era capaz de falar em voz alta. Esse encontro com o reflexo me trouxe de novo pra mim. Estou só um pouco cansada. Quem sabe amanhã eu volte. Quem sabe amanhã tudo pareça melhor. E eu consiga voltar a acreditar que o tempo muda as coisas, que faz tudo passar. Por enquanto estou aqui despejando a vida, deixando tudo ainda mais em carne viva. Até ser capaz de me convencer.
domingo, 2 de setembro de 2012
Cazuza estava certo. O tempo não para. O tempo arrasta. O tempo devora. O tempo sufoca. O tempo agride. Mas o tempo também aumenta a saudade. O tempo não espera. O tempo tem pressa. O tempo transforma. O tempo melhora. Ou piora também. O tempo ensina. O tempo é impaciente. O tempo corre por si só. O tempo não planeja ninguém. O tempo amadurece. O tempo cresce. O tempo dói… mas cura também. O tempo supera. O tempo esquece. O tempo vai… mas não volta. O tempo não fica. O tempo sempre está de passagem. O tempo é ciência. O tempo é mistério. O tempo pode ser divertido, mas também pode ser tédio. O tempo é eterno. O tempo é indecifrável. O tempo é virtude. O tempo é maldade. O tempo passa. A vida acontece, mas a gente permanece!! Sábias palavras
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Uma boa conversa costuma ser aquela que consegue ser acompanhada de alguns sorrisos tortos, algumas gargalhadas exageradas, uma teia de causos que uma família do interior pode contar. Nada deveria ficar do rotineiro, dos altos tons de voz, do excesso de solidão a que se submete, da frase mal compreendida, nada deveria ficar além da percepção de que nenhuma família é grande ou pequena, boa ou má o suficiente. Não se trata disso. Nossos casos são os mesmos. Não seria certo comparar histórias. Não seria certo supor, pelo meu lado, maiores dificuldades, maiores perdas. Qualquer que seja a dificuldade ela consegue ser transformadora. Seja pra lhe fazer aprender, torna-la uma pessoa mais forte, independente, dura. A delicadeza não consegue vencer em todos os dias. Natural. A vida é recheada de altos e baixos, de idas e vindas. Que vá embora então, mas que um dia volte. Talvez nenhuma escolha e nenhuma palavra seja realmente definitiva. Mas fica uma cicatriz, uma especificamente, que lhe volta à memória, que lhe faz desejar tantas coisas outra vez. Juntando o medo na bagagem, carregando cada uma das lembranças que ficaram presas nessas paredes, tudo o que eu quero, no fundo, é poder ir.
Mal diz. Mal preenche o espaço que lhe deixo disponível. Talvez a minha resistência devesse se amplificar. Talvez deva exagerar nos meus limites. Talvez deva inteirar o mundo com as minhas confusões. As que se multiplicam com o passar lento dos segundos de espera. Em um curto intervalo de tempo se questiona, muda de direção, apanha os antigos sentidos que via nas relações desenvolvidas e joga num canto do quarto. Deixa lá. Guarda sem nenhum cuidado. Sufoca as palavras até onde perde controle. Prende às mãos a uma distância frágil do teclado. Não adiantam os tantos conselhos. Não adiantam os tantos cuidados. Uma parte sua prefere jogar-se em fogo cruzado. Prefere investir no salto, sem perspectivas, sem direções certas. Esse sempre foi o lado que via como o melhor da vida. As incertezas que lhe impulsionam, são sempre tão mais atraentes do que o planejamento de uma história que nem existe.
Às vezes não preciso de nada além de me ouvir. Às vezes o dia melhora com isso. É quando eu me sinto menos sozinha. Quando os dias passam na velocidade certa. Quando não desejo nada além de estar aqui. Ouvindo. Sendo a pessoa que sempre desejei ser. Quando aqueles sonhos de quando... já nem lembro quando... Quando eles fazem sentido. Quando você sorri sozinha e se sente feliz.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Podemos procurar cada uma das palavras, podemos juntá-las todas. Talvez elas façam sentido, talvez elas estejam, somente, em um processo de busca. Talvez elas tentem cotidianamente atingi-los. Talvez elas busquem um comportamento de correspondência. Talvez seja mais simples escrever em terceira pessoa. Talvez seja menos intimidador.
As suas imaginações descansam, ali... beirando as paredes de vidas alheias, algumas próximas, outras nem tanto. A poesia, ou a conversa que vai construindo não precisa de uma mirabolante ficção cientifica. Nossas vidas nunca deixaram de ser, em parte, personagens nossos. E, saiba, eu guardo as imagens de histórias que um dia talvez possa contar.
O pôr-do-sol à beira mar. A conversa sobre livros, sobre arte. Os sentimentos não correspondidos. As pessoas que se afastam. Aquelas das quais sente falta. O vento forte da madrugada batendo rosto. O colo. Os sonhos. As decepções. Um dia podem construir vidas em terceira pessoa.
Cada linha, ainda que com outro nome, com outra experiência, com outra idade, com outros sonhos... São as minhas escolhas saindo pela ponta dos dedos. Não devem me perguntar o quanto cada palavra é pessoal. Devem se perguntar, o quanto pode não ser? Nem eu saberia, de fato. O quanto foi vivido, o quanto foi imaginado. Será que alguém realmente acha possível mensurar sentimentos a esse ponto?
Deixo as certezas de lado. Assim como transpareço entre sentimentos estranhos o medo de algumas palavras, medo, justamente das certezas que elas anunciam. Deixo o amor, esse estático, aguardar por palavras mais maduras (não necessariamente pelo tempo). E vou ao encontro do verbo, o “amar” que flutua... entre lugares, experiências e pessoas.
Por não estarem distraídos (Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras — e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
As vezes parece que as frases vêm prontas. De um folego só, com uma velocidade quase superior a sua consciência. Elas encaixam-se na minha vida. Procuram a terceira pessoa, um personagem em que possam se sustentar e completar um ciclo. Se me deixa vulnerável? Claro. Sou eu. Ao mesmo tempo o corpo descansa tranquilo, feliz, entre folhas amareladas que esperam o dia seguinte.
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